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Comentário ao livro “ELOGIO DA MADRASTA” (e outros com ele relacionados) de Mario Vargas Llosa
Estes poderão não ser os livros mais famosos de Llosa, mas são um conjunto de obras belas, arejadas e que vão deixar muito bem-disposto quem se dispuser a lê-las. Estou a falar de “Elogio da madrasta” (1988), “Os cadernos de Dom Rigoberto” (1997), “O Barco das Crianças” (2014) e “Fonchito e a Lua” (2020). Como se vê, abrangem um vasto lapso de tempo na vida e na escrita do autor, sendo o último a sua mais recente obra. Pelos vistos, ele mesmo se apaixonou pela personagem central, a tal ponto que teve de voltar a ela ciclicamente.
E esta personagem central é “Fonchito” ou “Foncho” ou “Alfonchito”, tratamento familiar de uma criança chamada “Alfonso”, filho de Dom Rigoberto e enteado de Dona Lucrécia. Dom Rigoberto era um bem-sucedido gestor de seguros que enviuvou, ficando responsável pelo seu único filho de cinco anos de idade. Casou em segundas núpcias com Dona Lucrécia, uma senhora mais nova e muito bonita, ao contrário dele, que não devia muito à beleza, especialmente o seu nariz “rotundo e aquilino” que ele, no entanto, considerava “muito sensível, tuberoso e ornamental”.