Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Os Meus Nobel

Aqui encontra informação sobre a vida e a obra de grandes escritores, galardoados com o Prémio Nobel de Literatura ou não, minhas recensões de livros, textos de minha autoria e notícias literárias

Os Meus Nobel

Aqui encontra informação sobre a vida e a obra de grandes escritores, galardoados com o Prémio Nobel de Literatura ou não, minhas recensões de livros, textos de minha autoria e notícias literárias

O COMERCIANTE EXPLORADOR - Parábolas do nosso tempo (1)

Vibarao, 19.04.24

O comerciante explorador.jpg

Naquele tempo...

Disse o profeta Amós aos responsáveis do povo: "Escutai bem, vós que espezinhais o pobre e quereis eliminar os humildes da terra. Vós dizeis: «Quando passará a lua nova, para podermos vender o nosso grão? Quando chegará o fim de sábado, para podermos abrir os nossos celeiros, cortar nas medidas, aumentar os preços e falsear a balança, para defraudar? Compraremos os necessitados por dinheiro e os pobres por um par de sandálias. Venderemos até as cascas do nosso trigo.» Mas o Senhor jurou pela glória de Jacob: «Nunca esquecerei nenhuma das suas obras». (Am. 8, 4-7)

No nosso tempo...

Havia um Comerciante que se estabeleceu no centro cívico da sua cidade natal com um Supermercado, igualzinho ao Supermarché em que tinha trabalhado em França, antes de se lançar na construção civil e enriquecer naquele país. Era um estabelecimento soberbo, com uma grande variedade de mercearias, vinhos, frutas, queijos e enchidos de todas as regiões do país, tudo com muito boa apresentação e excelente qualidade.

Contratou uma sobrinha que tinha feito o Liceu e era espertita, mas os pais não podiam mandar para a Universidade, para se passear disfarçadamente pelas mercearias da cidade e tomar nota dos preços que estas praticavam. Um dia, lançou uma grande campanha na rádio local e no jornal da terra, onde anunciou uma enorme baixa de preços e convidava toda a população a visitar o seu estabelecimento. Os habitantes, primeiro pela curiosidade e depois pelos preços, que eram, realmente, muito mais baixos, começaram a fazer as suas compras no Supermercado. O negócio prosperava a olhos vistos e não tardou que todas as mercearias da cidade, uma a uma, fechassem as portas. Conseguido o monopólio, os preços começaram a subir paulatinamente. Um dia era o arroz, dias depois os queijos e assim sucessivamente, até que, em pouco tempo, o Comerciante recuperou o capital investido e ficou ainda mais rico do que era antes.

Mas um dia a rádio e o jornal noticiaram que o Presidente da Câmara tinha chegado a acordo com uma multinacional para a instalação de um Centro Comercial nos subúrbios da cidade, num grande terreno que, por acaso, até pertencia à esposa do Sr. Presidente, que o tinha comprado por "meia dúzia de cascas de alhos" a uns irmãos desavindos que não conseguiam chegar a acordo nas partilhas. O Comerciante desdenhou da notícia, riu-se e esclareceu os filhos receosos de que não havia que ter medo, porque ninguém se deslocaria para os arrabaldes, tendo no centro da cidade um estabelecimento onde nada faltava.

Alguns meses depois, abriu o Centro Comercial, com muitas lojas, diversões para as crianças e restaurantes com comidas que os habitantes nunca tinham visto. Os amplos corredores estavam cheios de luzes, som, montras atraentes, todo o tipo e variedade de produtos. Havia também um Hipermercado, onde os preços eram muito inferiores aos do Supermercado da cidade.

O consumidor farto de ser explorado, não esqueceu nenhuma das artimanhas do Comerciante desonesto, deixou-se seduzir pelo Centro Comercial e o Comerciante viu o seu negócio ir por água abaixo. Não demorou muito tempo a fechar portas.

 

Aviso

© Todas as publicações são propriedade do autor. Proibida a sua reprodução total ou parcial não autorizada.