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Os Meus Nobel

Aqui encontra informação sobre a vida e a obra de grandes escritores, galardoados com o Prémio Nobel de Literatura ou não, minhas recensões de livros, textos de minha autoria e notícias literárias

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Heidi

Vibarao, 22.12.25

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"Heidi" de Johanna Spyri

"Heidi", escrito por Johanna Spyri e publicado no Natal de 1879, é um dos maiores clássicos da literatura infantil mundial. Ao longo de gerações, a história da menina órfã que encontra um novo lar nos Alpes suíços conquistou leitores de todas as idades. A obra, marcada por uma escrita simples e cativante, permanece atual graças às suas mensagens universais de bondade, amizade e conexão com a natureza.

Heidi é uma menina órfã da Suíça que perdeu os pais aos 4 anos, ficando à guarda da sua tia Deta. Porém, um ano depois, Deta recebe uma proposta para trabalhar numa casa rica em Frankfurt, na Alemanha, e não pode continuar a tomar conta da menina. Então resolve deixá-la com o avô paterno, um homem frio e carrancudo que se tinha isolado no alto dos Alpes, onde vive com as suas duas cabras.

Heidi fica muito inquieta e tem receio da forma como será acolhida por este avô desconhecido e do qual ouve dizer tanto mal; mas ao mesmo tempo está muito curiosa e a expetativa de viver na montanha dá-lhe alegria. Cedo, com efeito, um profundo amor nasce entre Heidi e o velho solitário. Heidi dorme numa cama de palha que o avô lhe preparou no sótão da cabana. A forma de ser de Heidi e a sua alegria contagiante acabam por quebrar o gelo do coração do velhinho, que se torna muito mais simpático e prestável, de modo que toda a gente que o temia o começa a admirar.

Na montanha vive também a família de um menino de 11 anos chamado Pedro, que é o pastor do rebanho de cabras dos habitantes da aldeia. Pedro leva todos os dias as cabras a pastar no alto da montanha e rapidamente Heidi e Pedro se tornam grandes amigos.

Quando todos já podem constatar a diferença no avô, a tia Deta volta e leva Heidi, contra a vontade desta e do avô, para ser a companheira de Clara, uma garota loirinha muito linda, filha única de um casal muito rico de Frankfurt, mas que não anda e vive confinada a uma cadeira de rodas. À medida que o tempo vai passando, Heidi e Clara tornam-se grandes amigas. Heidi aprende a ler e torna-se uma menina muito educada.

Porém, algum tempo depois, fica com muitas saudades dos Alpes e adoece. A doença da protagonista é tão séria que o pai de Clara tem de levar a garota de volta para o avô, que fica muito feliz com o seu regresso, ao contrário de Clara que fica muito triste.

No segundo volume, vamos encontrar Clara com muitas saudades de Heidi e a conseguir que os pais a deixem ir visitá-la aos Alpes. Quando ela chega na companhia da sua avó, Pedro fica cheio de ciúmes, julgando que vêm para levar Heidi de novo para Frankfurt, e, com a raiva, atira a cadeira de rodas de Clara pelo monte abaixo. Quando vê que a cadeira ficou completamente inutilizada, fica muito preocupado e com medo de ser castigado. Mas Heidi tem sempre uma solução para tudo e mostra mais uma vez como é tão especial: com a ajuda do avô, ensina Clara a andar. Pouco a pouco, Clara aprende a andar suficientemente bem. A sua família fica muito feliz e acredita que foi um milagre. O pai de Clara fica tão agradecido que ajuda o avô e todos os amigos de Heidi a conseguir uma vida melhor, dando a cada um segundo as suas necessidades. O próprio médico de Clara se apaixona pela montanha e decide passar a residir na aldeia próxima. E Clara promete a Heidi vir passar com ela o verão todos os anos.

O livro exalta a vida simples e o contacto com a natureza como fontes de felicidade, saúde e equilíbrio, demonstra a importância dos laços familiares, mostra a força do apoio mútuo e da empatia e como a resiliência pode influenciar positivamente todos à sua volta, mesmo no meio das maiores adversidades.

A escrita de Johanna Spyri é viva, de tal modo que as paisagens alpinas quase se tornam personagens da história. É uma escrita simples, acessível às crianças, mas suficientemente profunda para envolver os leitores adultos. A autora transmite valores morais, mas sem cair na moralização excessiva. Os personagens são genuínos e cativantes. “Heidi” é, pois, um livro recomendável para todos, o que é demonstrado pela popularidade que continua a manter século e meio depois de ter sido escrito.

 

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