AS SONDAGENS – Parábolas do nosso tempo (5)
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Naquele tempo...
Jesus foi à região de Cesareia de Filipe e aí perguntou aos seus discípulos: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” Eles responderam: “Alguns dizem que é João Batista; outros, que é Elias; outros ainda, que é Jeremias ou algum dos profetas”. Então Jesus perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Simão Pedro respondeu: “Tu és o Messias." (Mt. 16, 13-16)
No nosso tempo...
É dia de sondagem. Nove horas da manhã e o chefe do partido espera ansiosamente pelo secretário com a súmula do que dizem os diversos jornais.
"Finalmente, Pedro, nunca mais aparecias..."
"É a hora do costume, Senhor Primeiro..."
"Pronto, está bem. Então conta!", responde o Senhor Primeiro, verdadeiramente ansioso.
E o secretário conta que a nova sondagem é preocupante, porque lhes dá menos percentagem de votos e uma subida semelhante ao partido líder da oposição.
"O mais preocupante é que os partidos nossos amigos baixaram ainda mais do que nós", conclui o secretário.
"Mas para onde foram esses votos?", indaga o Senhor Primeiro, verdadeiramente intrigado.
"Pois aí é que está a questão, Senhor Primeiro...", diz o secretário hesitante, "lembra-se daquele mal-educado que passa a vida a gritar no Parlamento? Pois, a sondagem também lhe dá mais votos do que na sondagem anterior". E acrescenta: "Veja o título deste pasquim ordinário que só sabe dizer mal do governo: 'Oposição com maioria'".
"Com esse posso eu bem", contesta o Senhor Primeiro.
"O pior é que os outros afinam todos pelo mesmo diapasão", contrapropõe o secretário. Veja, por exemplo, a parangona deste que nos deve tantos favores: 'Eleitores desiludidos com a governação, oposição à beira da vitória'"
"Mau... O que achas que devemos fazer agora para dar a volta a isto?"
"Nada, Senhor Primeiro. Basta deixar andar."
"Como nada!... Não podemos perder. Sabes bem como estão as finanças do partido. E nós, o que fazemos depois?"
"Repare, Senhor Primeiro. Com mais uns milhares de funcionários nos serviços de saúde, mais uns milhares de desempregados a receber subsídio, mais uns milhares de auxiliares de educação nas escolas, mais uns pozinhos nas pensões de reforma, no RSI e nos vencimentos da função pública, a nossa base de apoio está garantida."
"Tens razão, caro Pedro, já no tempo de Cristo as sondagens falhavam sempre. Que interessa darem muitos votos ao Batista, ao Elias e ao Jeremias. Importante é o que pensam os nossos discípulos e o voto destes está garantido. Obrigado, amigo, não sabes o peso que me tiraste das costas".